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Em entrevista concedida ao jornal Gazeta do Paraná, Presidente do Sintrivel fala sobre desemprego

Confira abaixo, na íntegra, a matéria publicada pelo jornal Gazeta do Paraná. O Presidente do Sintrivel, Roberto Leal Americano, fala sobre o desemprego:

construção

Dia do Trabalhador com 10 milhões sem trabalho

Em muitos países do mundo, entre eles o Brasil, na data de 1º de Maio é comemorada o Dia do Trabalhador. Neste ano, entretanto, a comemoração dos brasileiros está enfraquecida quando órgãos oficiais do governo apontam que existem mais de 10 milhões de desempregados no país. Cascavel não foge à regra e, nos últimos 12 meses, mais de 3,2 mil trabalhadores ficaram sem emprego.

Uma das áreas que mais sofreu com o desemprego, mas que aos poucos começa a surgir uma luz no fim do túnel, é a da construção civil. Para Roberto Leal Americano, presidente do Sintrivel (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Construção Civil de Cascavel e Região), um dos problemas enfrentados no setor é a informalidade. Metade dos trabalhadores não possui registro em carteira e, segundo ele, são essas pessoas que estão sofrendo no momento em que o Brasil passa por uma crise na geração de emprego.

Americano explica que nos tempos de “fartura” na construção civil, muitos trabalhadores preferem trabalhar na informalidade, mas com o recuo do número de obras é justamente aqueles que estão no trabalho informal os primeiros a ficarem sem emprego. O Sintrivel recebe diariamente de 10 a 15 trabalhadores que estavam na informalidade e agora buscam um trabalho com carteira assinada.

“Esse trabalhador hoje está batendo na porta das construtoras para trabalhar com documento assinado”, diz Americano.

A construção civil na região Oeste, explica o líder sindical, é diferenciada do restante do estado e do país. Segundo ele, os construtores são mais prudentes e quando o Brasil inteiro investia de forma maciça no setor, em Cascavel os empreendimentos também aumentaram, mas respeitando a demanda. É por isso que o número de imóveis novos ofertados ainda é baixo e tem espaço para crescimento. Segundo ele, no restante do Brasil o crescimento da construção civil nos últimos cinco anos foi algo fora do normal e que agora está voltando à realidade após o “boom” momentâneo.

“A construção civil pode ter alcunha de que é a que mais tem acidente de trabalho, mas é a que mais dá emprego imediato”, avalia.

O menor salário no setor fica na casa dos R$ 1.400,00.

O líder sindical, no entanto, não acredita que o retorno do emprego aconteça nos próximos meses e prevê uma turbulência ainda maior. Para ele, a situação política indefinida no país acaba travando todo o mercado. “O pior ainda está por vir. O que é pior para qualquer categoria é a falta de decisão. Quem paga a conta somos nós”, afirma.

Comércio

Osvaldecyr Pisapio, vice-presidente do Sindec (Sindicato dos Empregados no Comércio de Cascavel e Região), é mais otimista e acredita que no segundo semestre a tendência é de recuperação do emprego formal. Segundo ele, no primeiro semestre geralmente os comerciantes tiram o pé do acelerador devido as contas de início do ano como IPTU e IPVA, entre outros.

“Nós temos que ser otimista, temos que acreditar. As expectativas mostram que o segundo semestre é sempre melhor”, avalia.

Ele também concorda que a indefinição política é um entrave para o crescimento da economia, mas mesmo assim acredita no histórico dos anos anteriores que sempre se mostraram mais favorável ao emprego no setor do comércio no segundo semestre.

Data foi gerada pela união

O Dia do Trabalhador teve origem a partir de uma greve geral que paralisou parques industriais na cidade de Chicago (EUA) no dia 1º de Maio de 1886. Uma das exigências dos trabalhadores era a redução da jornada de 13 para 8 horas. A greve, no entanto, foi violentamente reprimida pela polícia, inclusive com morte de trabalhadores, mas a repressão estimulou ainda mais as manifestações nos dias seguintes.

No Brasil, historiadores apontam que menção ao dia 1º de maio começou na década de 1890 quando a República foi instituída. Em 1917, a cidade de São Paulo protagonizou uma das maiores greves gerais já registradas. A força que o movimento dos trabalhadores adquiriu era tamanha que, em 1925, o então presidente Arthur Bernardes acatou a sugestão que já ventilava em várias partes do mundo de reservar o dia 1º de maio como Dia do Trabalho no Brasil. Dessa forma, desde esse ano o 1º de maio passou a ser feriado nacional. 

As informações são da Gazeta do Paraná.